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Hoje, com 20 anos de idade, me encontro em crise. Percebi com poucas situações que eu não estou preparada para viver.
Situações cotidianas de um adulto, eu, para variar, não soube administrar. Até porque, parafraseando Clarice Falcão, “se não desse errado, não seria eu”.
São muitos compromissos, rotinas, responsabilidades, julgamentos e imagens. Tudo isso é péssimo e me corrói.
Não sei se a criança que eu era cheia de sonhos e planos, se orgulharia do que me tornei até agora.
Me sinto perdida no mundo. Como se algumas coisas ainda faltassem para que o trem comece a andar nos trilhos.
Algumas vigas estão nos lugares perfeitos na montagem dos trilhos, tem outras que estão podres e precisam ser trocadas, mas ainda tem alguns espaços abertos, e que eu não faço idéia de com qual madeira será melhor preenche-los.
As vezes gostaria de voltar no tempo e aproveitar melhor minha infância. Sem incômodos, sem julgamentos, sem nada. Apenas inocência.

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